Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim,
Em vez da natureza consumida,
Ruína humana.
Inválido do corpo
E tolhido de alma.
Morto em todos os órgãos e sentidos.
Os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vivi
Contra as leis do destino.
E o destino nãoo quis
Que eu cumprisse como porfiei.
E caisse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
Desaguar
E, em largo oceano, eternizar
O seu esplendor torrencial de rio.
Miguel Torga, Diario XVI, Coimbra, 10 de dezembro de 1993
Parque dos Poetas
Apetites Complexos
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Estátua Falsa
Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram,
Na minh'alma desceu veladamente.
Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distância.
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer me arrepio de medo!
Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mas;
Sou templo prestes a ruir em deus,
Estátua falsa ainda erquida ao ar...
Mário de Sá-Carneiro, Poemas Completos
Parque dos Poetas
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram,
Na minh'alma desceu veladamente.
Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distância.
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer me arrepio de medo!
Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mas;
Sou templo prestes a ruir em deus,
Estátua falsa ainda erquida ao ar...
Mário de Sá-Carneiro, Poemas Completos
Parque dos Poetas
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Subscrever:
Comentários (Atom)